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A Diversidade e Inclusão em tempos de pandemia

Atualizado: 26 de Jun de 2020



A Diversidade e Inclusão podem perder espaço na agenda das empresas durante a crise gerada pelo COVID-19, uma vez que o foco pode ser direcionado para assuntos aparentemente mais relevantes, como saúde mental, trabalho virtual, manutenção da produtividade etc. No entanto, há claras evidências de que o tema de D&I se torna ainda mais importante em tempos críticos como o que estamos vivendo agora, tanto para a ajudar as empresas a atravessarem a tormenta, quanto para potencializar a retomada dos negócios uma vez que o pico do problema passar. As consultorias Heidrick & Struggles e McKinsey lançaram nos meses de abril e maio, artigos que ajudam a entender o porquê da Diversidade e Inclusão serem um tema essencial para as empresas, principalmente em momentos de adversidade como esse. Compilamos algumas das principais razões:

Liderança inclusiva

Líderes inclusivos são melhores em construir conexões entre times no ambiente virtual, fazendo com que as pessoas permaneçam engajadas e colaborativas mesmo com o distanciamento físico e contato apenas via ferramentas de trabalho remoto. Além disso, para a própria sustentação do negócio em tempos como esse, empresas se veem obrigadas a revisitar sua oferta levando em consideração a nova realidade de consumo, seja através de produtos, serviços e modelos de negócios, completamente novos ou ajustados. As diferentes experiências e formas de abordar um mesmo problema que a diversidade traz são cruciais e empresas com cultura de liderança baseada em confiança, colaboração e inclusão, tem maior probabilidade de aproveitar as sinergias dessas diferenças, ter uma leitura mais clara da realidade, gerar novas ideias e formas de atravessar a crise com o mínimo de arranhões, para sua gente e seus resultados.

Atração e retenção de talentos

As organizações com melhores políticas de D&I e que melhor se adequarem às novas condições de trabalho impostas pelo isolamento social conseguirão atrair e reter os melhores talentos, inclusive aqueles que, aos olhos de empresas empresas com culturas mais rígidas e conservadoras sobre a flexibilização das formas de trabalho, não estivessem "aptos" antes da pandemia, como pais e mães solo, casais com dupla jornada de trabalho, pessoas com alguma limitação física mais severa, ou mesmo aqueles talentos que residem longe do escritório físico.

Líderes de D&I

Apesar de ainda estarem vinculadas a áreas tradicionais nas maioria dos casos, as estruturas de D&I, sustentabilidade e transformação digital são frequentemente as mais próximas de grandes mudanças que ocorrem nas empresas e na sociedade. Os líderes de D&I que estiverem na vanguarda de transformação de times e culturas estarão bem posicionados para guiarem as organizações em um senso mais profundo de conexão, tanto internamente quanto externamente com clientes, fornecedores e comunidade. As empresas devem incluir em sua jornada, a capacitação dos profissionais de D&I em conhecimento holístico de gestão e da própria natureza do negócio, são eles os catalizadores para unir a ótica do lugar de fala de cada população com a realidade de negócio da empresa.

Qualidade na tomada de decisão

Competências relacionadas a resolução de problemas e visão de futuro serão chaves para organizações se adaptarem aos modelos de negócio, nova dinâmica competitiva e ambiente externo. Empresas que investem em diversidade e inclusão tem múltiplas perspectivas para encarar problemas, aumentando as chances de chegarem a soluções mais criativas e ao mesmo tempo enriquecendo a lista de critérios de priorização para gestão de risco. Além disso, nessas culturas inclusivas, as pessoas se sentem mais seguras e confiantes para participar e contribuir, além de estarem mais atentos aos fatos e processá-los cuidadosamente.

Reputação e “licença para operar”

Manter ou até aumentar o foco em D&I em momentos de dificuldade como o que estamos vivendo reduzem o risco de reveses no futuro, como perda de clientes, dificuldade de atrair e reter talentos e perda de suporte governamental e de parceiros.

Na questão reputação, há uma movimentação também na lógica dos critérios de investimento no mercado financeiro em geral. O Banco Mundial criou o portal de dados ESG (Environmental, Social and Governance), que incorpora as 17 metas SDG (Social Development Goals) para o desenvolvimento humano adotado pela Assembléia Geral da ONU em 2015, visando facilitar o fluxo das atividades financeiras alinhadas a tais metas. Fundos com títulos vinculados ESG já são realidade no Brasil e colocam 3 temas como indicativos de segurança ao risco: (1) responsabilidade da governança, relacionada a transparência operacional; (2) responsabilidade ambiental, sobre a operação da empresa e suas interações com o meio ambiente; (3) social, onde entre outras metas destaca-se a número 5, sobre equidade de de gênero, e a número 8, relacionadas ao direito a um trabalho digno e à prosperidade econômica. Ou seja, empresas mais diversas poderão atrair investimentos mais facilmente, com um custo de capital mais baixo.

Aprendendo com o passado

Em estudo da McKinsey pós-crise de 2008, a maior parte das empresas citou a importância da liderança e habilidade de definir direções claras para seguir adiante, duas dimensões nas quais a D&I tem papel vital. Empresas que priorizaram a D&I ao longo do tempo (e continuam priorizando) estarão em melhores condições de se sobressaírem da crise gerada pelo novo coronavírus.


FLOCK, J. Why diversity and inclusion are more important than ever during the COVID-19 crisis. Heidrick & Struggles – Diversity & Inclusion Practice, abril 2020.

DOLAN, K.; HUNT, V.; PRINCE, S.; SANCIER-SULTAN, S. Diversity still matters. McKinsey Quartely, maio 2020


https://www.unglobalcompact.org/sdgs


https://valor.globo.com/financas/noticia/2020/06/19/xp-da-primeiro-passo-em-cultura-esg-com-dois-fundos.ghtml


#covid19 #pandemia #diversidade #inclusão

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