O perigo de regimes extremistas para a diversidade

Quando foi que regimes totalitários respeitaram a Diversidade e a Inclusão na história da humanidade? Há um antagonismo entre uma coisa e outra, em qualquer lugar do mundo em que se desenvolvam, e precisamos seguir muito atentos a isso. Política não se descola de Diversidade e Inclusão e vice-versa.



O mundo está chocado com a ofensiva relâmpago do Talibã (Taleban) que, após 20 anos, voltou ao poder no Afeganistão com a “derrubada” de muitas cidades e a fuga do presidente Ashraf Ghani do país, deixando seus cidadãos à própria sorte.


Em 2020, o então presidente Donald Trump assinou um acordo de paz com o grupo religioso extremista prevendo a retirada das tropas americanas do território, o que culminou no avanço recente dos fundamentalistas pelas províncias e capitais afegãs. Desde então viralizaram notícias e relatos avassaladores sobre a perda de direitos e violações à liberdade e à vida dos afegãos, algo que havia sido aparentemente superado desde 2001, data do último governo do grupo formado por ex-combatentes conhecidos como mujahedeen, militantes islâmicos sunitas que lutaram contra as força soviéticas em 1980 e, entre outras coisas, impuseram a sua interpretação da lei islâmica, a Sharia.


A insurreição de 2021 vinha cheia de promessas de comprometimento com processos pacíficos e garantia de direitos fundamentais. Entretanto, não foi o que se constatou até o momento.


Em tempo: que não incorramos em preconceito religioso! O juízo não é sobre a cultura islâmica e seus valores, mas à essa deturpação a serviço de uma ideologia particular que coloca em risco a vida de muitas pessoas.


A questão é pensarmos juntos como o extremismo, sendo ele religioso ou não, jamais foi favorável à diversidade de pensamento, de formas de ser e existir. Negros, lgbtqiap+, pessoas com deficiência, mulheres… há sempre um marcador social alvo de políticas de medo e terror e, assim como diria Hanna Arendt, em “Origens do totalitarismo” há neles a anulação da individualidade.

“Constrói-se um cinturão de ferro que os cinge de tal forma que é como se a pluralidade de dissolvesse, (…) pressionando os homens uns contra os outros, com o terror total destruindo o espaço entre eles." (adaptado)

Num regime como o imposto pelo Talibã é bastante provável que as mulheres sejam proibidas de trabalhar e estudar; sejam forçadas a se casar; não possam sair de casa desacompanhadas; voltem a ser submetidas à penas de morte, como o apedrejamento, por certas condutas consideradas criminosas, como o adultério. É importante lembrar que Malala Yousafzai foi baleada por ele ao denunciar esse tipo de abuso e exigir o direito de meninas educação.


Ao contrário do que ocorreu após sua retirada do poder: elas conquistaram direito ao voto, a expectativa de vida subiu, trabalham e ocupam boa parte do poder legislativo.



As leis no Afeganistão também não beneficiam e asseguram a população lgbtqiap+. Segundo a @transpreta, o mapa de Leis de Orientação Sexual no Mundo, divulgado pela IGLB (Associação Internacional de Gays e Lésbicas) em 2020, o cenário é complexo, cheio de restrições. A prática sexual entre pessoas do mesmo sexo, por exemplo, é considerada crime cuja pena é determinada por Deus, o que pode garantir um julgamento extremo ou possível pena de morte, a depender da interpretação da Sharia. Mas, antes mesmo da tomada do Talibã, relatos e registros dizem que punição, repressão e negligência imperavam no país, fazendo do Afeganistão um dos lugares mais violentos para gênero e sexualidade.


Tudo isso nos ensina: diversidade e inclusão estão na chave da liberdade, e é por ela que todos nós devemos trabalhar para conquistar e preservar.


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