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O que podemos observar com a chegada do The Voice 60+ ao Brasil?



Não por acaso teremos uma versão sênior do programa musical The Voice, agora voltado aos adultos maiores de 60 anos.


As estatísticas etárias no Brasil apontam cenários de aumento da expectativa de vida que afirmam o século XXI como o momento de envelhecimento demográfico do país. Segundo o IBGE, o grupo com mais de 65 anos representará 15% da população em 2034 e 25% até 2060. Daí as movimentações do Estado, do Mercado e da Sociedade, preparando-se para acompanhar essa mudança.


Segundo o Ipea, o envelhecimento populacional e a crise financeira de 2007 que culpabilizaram os sistemas previdenciários pelo déficit público, parecem começar a ser superados. O marco dessa mudança de paradigma é o relatório de Bernard, Hallal e Nicolaï (2013), em que o governo francês posiciona a transição demográfica como alavanca para a retomada do crescimento econômico da França com o que denominaram economia da longevidade (silver economy). É a aposta do Estado, em articulação com o Mercado, para superar os baixos índices de empregabilidade de trabalhadores acima de 55 anos e reduzir o agravamento da desigualdade social no país. [1]


O The Voice Sênior - já realizado nos Países Baixos, na Alemanha, na Rússia e o México - personifica essa transformação e reacende o debate sobre o lugar do idoso na contemporaneidade, isso inclui dos espaços de poder à mídia.


Há representatividade pensada com e para essas pessoas? Se sim, qual o caminho do meio entre os estereótipos do idoso incapacitado pela velhice e aquele totalmente livre das vulnerabilidades da idade? Em que medida eles seguem ausentes das narrativas e oportunidades criadas por nós e como incluí-los nelas?


Se por um lado a atração visibiliza a população mais velha, qualificada e apresentando-se como símbolo de uma velhice plena para a realização de projetos e sonhos, por outro, nos provoca a pensar nas demais possibilidades estruturais para atender às suas demandas e sonhos, muitas das quais ainda não estão postas.


Que querem e precisam os idosos, afinal? Onde querem estar e como querem ser vistos? Talvez estejamos ainda distantes de respostas para essas provocações justamente por ser este um segmento tão diverso, porém, recorrentemente esquecido por nós.


É importante notar também que todos os avanços - de saúde, de tecnologia, de qualidade de vida e bem estar etc. - estão associados ao amadurecimento da população idosa como consumidores potenciais e ativos. Com mais recursos financeiros e poder de decisão de compra, temos 50 milhões de pessoas que movimentam R$1.6 trilhões a cada ano, não restritos às áreas da saúde e da geriatria.


Que aprendemos então com a chegada do The Voice Sênior ao Brasil? A olhar para as referências da cultura pop para além do entretenimento, pois elas nos ajudam a compreender como caminha a sociedade.


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[1] FÉLIX, JORGE. O Idoso e o mercado de trabalho. Disponível em: http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/9092/1/O%20Idoso%20e%20o%20mercado.pdf Acesso em: out 2020.


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