Você sabe diferenciar igualdade e equidade?

Atualizado: Ago 26



É comum que nos espaços que discutem Diversidade & Inclusão se faça a diferenciação entre igualdade e equidade, mas, a bem da verdade, nem todos sabem que significam coisas diferentes.


O debate requer a reflexão sobre duas perguntas aparentemente simples sobre esses princípios humanistas: Somos todos iguais? Desfrutamos, de fato, dos mesmos direitos?


Do lema da Revolução Francesa (“igualdade, liberdade e fraternidade”) à promulgação da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, em 1789, símbolo da universalização de direitos, a igualdade foi ganhando os contornos do que conhecemos hoje. Quando cunhado pelo pensamento Liberal (filosofia política), o conceito falava em homens iguais por natureza, mas não iguais de todas as formas. Já ali as desigualdade eram reconhecidas, sobretudo em um contexto histórico em que as divergências entre trabalhadores e monarcas coexistiam e efervesciam. A igualdade foi importante para orientar a sociedade diante das opressões do contexto, preservar direitos e determinar deveres que ali tinham certo sentido e significado.


Percebeu-se, entretanto, que em uma sociedade heterogênea é bastante difícil promover a igualdade, uma vez que temos diferenças que produzem necessidades específicas a cada um de nós. Ela se torna, com isso, insuficiente, sobretudo ao tratar-nos apenas pela formalidade da lei -- como no Brasil, em que é constitucionalmente expressa --, pois tende a homogeneizar e padronizar aquilo que é essencialmente diverso visando atender a todos. O efeito prático da oferta de condições iguais para pessoas diferentes, todavia, cria mais disparidade e lacunas. E agora?


É neste contexto que surgem respostas específicas para corrigir desigualdades e engendrar a justiça social, cuja base é a equidade. Inclusive, na Grécia Antiga, os escritos de Aristóteles afirmam-na diretamente interligada ao conceito de justiça. Segundo ele, o equitativo é considerado o mais justo, para além do que observa a lei.


Entende-se, então, que a equidade é mais inclusiva, pois pressupõe a mudança no tempo e no espaço quando em face aos desafios que acompanham a sociedade e seus integrantes. Ela é um organismo vivo e dinâmico que se relaciona com os direitos do indivíduo quando inserido em um coletivo, e também com suas particularidades e peculiaridades.


É importante ressaltar, por fim, que, apesar das diferenças, ambos os valores foram fundamentais para a orientação do pensamento e da construção de políticas, também as afirmativas, nos setores público e privado. Hoje, no entanto, a equidade dialoga mais com a sociedade diversa em que vivemos.

258 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo